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quinta-feira, 13 de outubro de 2011

Reportagem Filhos Únicos

http://gazetaonline.globo.com/_conteudo/2009/11/557068-geracao+filho+nico++agora+menos+mimados.html

"geração FILHO ÚNICO": agora, Menos mimados


A Gazeta

Elaine Vieira
evieira@redegazeta.com.br


A (má) fama dos filhos únicos vem de longe. O americano G. Stanley Hall (1844-1924), um dos pais da psicologia infantil, chegou a afirmar que "ser filho único é uma doença". Foi assim que a imagem de crianças isoladas, dependentes, mimadas, consumistas, egoístas e autoritárias chegou até o século XXI, atormentando pais e pressionando-os a aumentar a prole.


Mas esse estereótipo não corresponde mais à realidade, asseguram os especialistas. Em boa parte porque, se até algumas décadas atrás era estranho ter apenas um filho, hoje os filhos únicos são maioria.


No Espírito Santo, segundo o Instituto Jones dos Santos Neves, o número de casais com um filho aumentou de 19,9% em 2003 para 23% em 2008, fazendo com que esse tipo de família alcançasse a primeira posição no ranking, deixando para trás os casais com dois filhos.


Com a mudança da estrutura familiar, pais e educadores também estão aprendendo a lidar com os "únicos", principalmente para mostrar que eles não são tão exclusivos assim.


Vantagens
"Se você ensiná-lo a dividir as coisas desde pequeno, a saber ouvir e a ter educação, ele vai se desenvolver como qualquer outra pessoa. E com uma vantagem: ele teve a oportunidade de ter tudo do bom e do melhor", ensina a psicóloga Ceres Araújo, autora do livro "Pais que educam - uma aventura inesquecível".


A maior preocupação dos pais de filho único é não mimá-los, mas os mimos não têm só o lado ruim. "Se a atenção exclusiva em excesso pode prejudicar os filhos únicos, bem dosada ela torna as crianças mais seguras. A tendência é que filhos de famílias menores tenha a autoestima bem desenvolvida, já que são reconhecidos em tudo o que fazem", aponta a terapeuta familiar Roberta Palermi.


O que não dá, alerta a especialista, é para tentar compensar uma culpa mal-resolvida sua - pela opção ou possibilidade de ter apenas um filho - prejudicando o desenvolvimento da criança.


Experiência feliz contada em livro e site


A angústia de ter e criar um filho único é tanta que o tema já virou até livro e site nos Estados Unidos. O casal Carolyn e George White, que sonhava com uma família grande mas não conseguiu ter mais de um filho, criou, há mais de 10 anos, o site Only Child (www.onlychild.com). O sucesso foi tanto que o casal também escreveu um livro com o mesmo nome, que, até hoje, é campeão de vendas. Para Carolyn e George, as principais dúvidas dos pais são sobre como agir na educação do filho único e o que dizer quando ele pede um irmãozinho. No fórum aberto no site, muitos pais mandam comentários, preocupados em não superproteger os filhos e criar os temidos monstrinhos de que tanto se fala.


Papel do irmão pode ser transferido


Se você decidiu ter apenas um filho, pode dar a ele outras oportunidades de se socializar. Os primos, os coleguinhas da escola e os meio-irmãos - filhos do padrasto ou da madrasta - podem ter o mesmo papel.


"O importante é que a criança vivencie a coletividade. Para crescerem saudáveis, crianças precisam, sim, de contacto com outras crianças, mas não necessariamente um irmão", destaca a psicóloga Ceres Araújo.


E um dos melhores lugares para vivenciar essa troca é a escola. "Um ponto positivo é que as crianças estão indo cada vez mais cedo para a escola, o que aumenta sua capacidade de socialização", aponta.


Para Ceres, uma boa dica é ampliar essa convivência com os coleguinhas da escola. "Muitas famílias já tiram até férias juntas, assim, tanto as crianças quanto os adultos ganham companhia", sugere a especialista.


Segundo ela, os pais não devem se preocupar com a pressão externa para ter mais filhos. "Eles não podem se sentir culpados pela opção que fizeram, na maior parte das vezes, pensando no benefício do seu filho".


Escola ajuda a aprender a dividir


Logo que casaram, a funcionária pública Betina Berger de Almeida, 32, e o supervisor comercial Fabrício Tosta, 33, tinham um sonho: uma casa cheia de filhos.

Mas assim que a esperta Natália, 7 anos, começou a aprontar das suas, eles criaram coragem e decidiram: um é mais do que suficiente.

Decisão tomada, o difícil agora é ensinar Natália a dividir, e não deixar que ela se sinta a dona da casa. "Além de filha única, ela foi a primeira neta, a primeira sobrinha. Todo mundo contribuiu para deixá-la um pouquinho mimada", confessa Betina.

Mas, só mãe e pai sabem o quanto é difícil resistir ao impulso de fazer todas as vontades da princesinha da casa. "A gente tem que se policiar o tempo todo, pois a vontade é mesmo de dar tudo aquilo a que não tivemos acesso quando criança. Mais do que fazê-la feliz agora, tenho que me preocupar com o que ela vai se tornar no futuro", ensina a mãe, ciente de sua responsabilidade. Para ela, a escola ajuda muito nesse processo. "Lá, ela entende que, apesar de ser muito especial para a família, no mundo ela é só mais uma e deve seguir as regras como todos. E que até o bolo de chocolate - coisa de que ela mais gosta - precisa ser dividido", destaca a Betina.



Casa cheia não garante boa educação


Mesmo com a casa cheia, se você não prestar atenção na relação que tem com seus filhos - e eles com os irmãos -pode criar pequenos tiranos, egoístas e mimados.


Para a terapeuta familiar Roberta Palermi, é preciso incentivar o convívio e a troca de experiências entre irmãos. "Há famílias que mal se vêem, em que não há diálogo, assim, tanto faz ter ou não irmãos", destaca.


Segundo ela, a "síndrome do filho único", ao contrário do que o nome diz, pode acontecer também em famílias maiores. "Na mesma casa, podem existir dois ‘filhos únicos’: um mimado pela mãe, outro, pelo pai. Isso ocorre quando pais e filhos não conversam entre si", explica.


Para evitar que isso aconteça, é importante que os pais interfiram no relacionamento dos irmãos, ajudando a solucionar problemas, se necessário.


Para minimizar as eternas brigas entre irmãos, a especialista indica que os pais conversem com o mais velho. "Explique que o papel dele é apoiar e aconselhar o irmão. Ele não é o pai, portanto, não manda na vida do mais novo", frisa.

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